sábado, 21 de janeiro de 2012

Para pensar e repensar...

Morre Lentamente

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,

Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,

Quem não muda de marca, não arrisca a vestir uma nova cor.

Ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,

Quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is”

Em detrimento de um redemoinho de emoções,

Justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,

Corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,

Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,

Quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,

Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,

Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte.

Ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,

Não pergunta sobre um assunto que desconhece

Ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,

Recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior

Que o simples fato de respirar.

Somente a ardente paciência

Fará com que conquistemos

Uma esplêndida

Felicidade.

Pablo Neruda

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